“Não tente fazer com que os fatos aconteçam como você quer, mas deseje que aconteçam como eles acontecem e você se sairá bem.” Epiteto
Hoje gostaria de falar de um tema muito caro e importante para mim. A inevitabilidade da vida. Lembro ainda hoje da morte do meu tio Luiz Querolin Neto. Um cara admirável a quem eu amava profundamente. Dono de um conhecimento ímpar e uma capacidade ainda maior de compaixão e amor ao próximo. Num dia conversámos via ICQ, onde me enviava um texto seu intitulado “Credo quia Absurdum”, noutro tarde da noite, recebo a notícia de sua morte. E, o tio Luizinho foi o meu primeiro elo de afeto com o conhecimento. Subitamente, estava morto. Eu, profundamente só. É muito duro aceitar a inevitabilidade da vida.
Como enfrentar essas tragédias que arrastam nossa dor e nossa mente enquanto o mundo desaba a nossa volta?
Quando isso acontece, nossa única escolha racional é aceitar radicalmente o que não pode ser mudado.
A Aceitação Radical é uma habilidade da Terapia Comportamental Dialética (DBT) que envolve o processo sistemático de aceitar incondicionalmente o que não podemos mudar em nossa vida.
Um dos objetivos é separar as coisas que podemos ou não podemos mudar dentre os eventos que nos afetam. É necessária em circunstâncias que estão além do nosso controle, nas quais não somos agentes atuantes e participativos.
Isso faz parte do nosso amadurecimento. Ao longo da vida, muitas situações fogem do nosso controle e da nossa capacidade de adaptação. Portanto, quando estivermos passando por um evento difícil devemos nos perguntar: Existe algo que eu possa fazer para mudar o que está ocorrendo? Se a resposta for sim, nós temos o dever de agir; se a resposta for não, nos resta apenas aceitar (radicalmente).
Luiz Querolin Neto (in memorian) era psicólogo e professor da Universidade Gama Filho. Pessoa amável e tranquila muito dedicada ao ensino teve inclusive um livro publicado em sua carreira (1989). Foi vítima da violência ao sair da faculdade, baleado em abril de 2000, no Rio de Janeiro, cidade que escolheu para viver e trabalhar.
Erik Sampaio é psicólogo clínico (CRP 08-19383) formado pela Faculdade Evangélica do Paraná (2013), possui especialização em Terapia Cognitivo Comportamental – TCC – pelo Instituto Paranaense de Terapia Cognitiva (2015). Tem especialização em Terapia Comportamental Dialética (The Linehan Institute, 2016), portanto possui vasta experiência com pacientes com transtornos psiquiátricos severos com risco de suicídio e/ou automutilação. Desde 2019, atua como professor convidado do curso de Pós-Graduação em TCC na Universidade Tuiuti do Paraná, realizando supervisão de atendimentos clínicos e orientação de trabalhos acadêmicos.
